Se alguém me dissesse anos atrás que eu ia casar com o Miguel, eu provavelmente ia rir e dizer: “Ah, para, nada a ver!” Mas a vida tem um jeito engraçado de surpreender a gente.
O Miguel sempre me contou que, antes mesmo de nos conhecermos, ele já me via por aí e pensava: “Nossa, que menina bonita... parece até modelo! Um dia ainda namoro essa moça.” Mas para ser sincera, eu nunca tinha reparado nele – ou pelo menos, não até aquele dia em uma chácara...
Era um aniversário de casamento em Santa Zélia, e no meio da festa, vi um rapaz muito bonito. Aquele tipo de bonito que faz a gente passar “despretensiosamente” várias vezes pelo mesmo lugar só para ver se ele nota também. Mas tinha um detalhe: ele não parava quieto! Saía de moto toda hora, pra cima e pra baixo. E eu, do alto do meu julgamento nada precipitado, pensei: “Que exibido! Com certeza tá querendo se mostrar.” E assim ficou a minha primeira impressão do Miguel.
Logo depois, minha tia chega e solta: “Thayla, sabe o Miguel da Aliciane? Ele vai se formar e quer que você seja madrinha de formatura dele! Ele pediu seu número, posso passar?”
Pera... o quê? Um menino que eu nem conheço me chamando para ser madrinha da formatura dele? Achei ousado, mas deixei minha tia passar o número. Madrinha eu não ia ser, mas fiquei curiosa. E aí veio a primeira mensagem:
"Oi, tudo bem? Aqui é o Miguel, sua tia me passou seu número."
A partir daí, começamos a conversar. Diferente dos outros, ele realmente queria saber sobre mim. Falávamos sobre tudo! o dia a dia, os sonhos, as coisas que gostávamos de fazer... e ele me fazia rir como ninguém.
Com o tempo, ele soltava umas cantadas, e eu, difícil que só, fingia que não percebia. Mas aos poucos fui me apegando... até que um dia ele soltou:
"Quero namorar com você."
Eu tinha só 15 anos e sabia que ainda não era o momento. Então, com o coração apertado, nos afastamos.
O tempo passou, a pandemia chegou, e eu me afundei nos meus hobbies: teclado, pintura, crochê... e descobri minha paixão pela veterinária. Tudo começou porque comecei a tirar leite das vaquinhas aqui em casa e me apaixonei por isso. E foi aí que lembrei do Miguel – ele também tirava leite!
Mandei mensagem puxando assunto. E funcionou! Ele voltou a falar comigo, mas estava passando por um período difícil, então nossas conversas eram raras, às vezes uma vez por mês. Aquilo me deixou frustrada, e tomei uma decisão: "Se ele não falar comigo até 31 de dezembro de 2021, nunca mais vou puxar assunto!"
O dia 31 chegou... e nada.
Já tinha até aceitado meu destino quando, no dia 5 de janeiro de 2022, acordo com uma mensagem enorme do Miguel. Ele estava brigando comigo por algo que um parente meu falou, acreditam? Fiquei brava e soltei:
"Agora que posso namorar, você some! Não me chama pra sair, não faz nada! Ah, Vai caçar sapo!"
E foi aí que ele finalmente tomou atitude!
Depois que voltei da praia, marcamos de nos encontrar depois da missa, então, nos reencontramos. As conversas fluíam como antes, como se nunca tivéssemos parado de falar um com o outro. E o tempo que ficávamos conversando parecia um buraco negro do tempo, onde as horas eram segundos... Depois de alguns encontros na praça da igreja, no dia 26 de maio de 2022, na varanda da casa de minha vó, lá estava ele, tremendo e gaguejando, segurando uma caixinha.
Antes mesmo dele conseguir terminar a frase, eu já cortei:
"SIM, eu aceito namorar com você!"
E assim começou nossa história oficial.
O dia da lenha e a estrela cadente
Poucos meses depois, no dia do meu aniversário, Miguel veio para a minha casa pela primeira vez. E, como presente, fiz um teste para ver se servia pra alguma coisa: botei ele para catar lenha para a fogueira! 😂 Ele ficou ali, sem reclamar, ajudando direitinho. Ponto pra ele!
À noite, sentamos ao redor da fogueira, conversando e rindo. O fogo iluminava nossos rostos, e o céu estava lindo. Foi então que olhei para cima e vi uma estrela cadente enooorme.
Na empolgação, quase derrubei o Miguel da cadeira gritando:
"OLHA! UMA ESTRELA CADENTE!! OLHA, OLHA, OLHA!!!"
Ele, assustado, olhou a tempo de ver também. Naquele momento, ficamos em silêncio por um instante, sentindo que aquele era um presente de Deus. Um sinal de que nossos caminhos estavam realmente entrelaçados desde sempre.
Dois anos depois, no dia 12 de junho de 2024, ele me pediu em casamento. De um jeito inesperado, no meio de um jantar com a família. Eu estava tranquila, pegando um docinho na mesa, quando ouvi o pessoal soltando um “oooooohhh”. Virei e vi o Miguel segurando um buquê e uma caixinha. Meu coração disparou, minhas pernas tremeram, e ele, meio sem jeito, falou:
"Aceita casar comigo?"
E agora estamos aqui, construindo nossa casinha, planejando nosso grande dia e vivendo esse sonho que começou lá atrás... muito antes do que eu imaginava!
Porque tem um detalhe que só descobri depois...
Eu e Miguel fomos padrinhos de aliança juntos quando crianças, em um casamento. Eu não lembrava dele, mas tinha uma foto dessa época em casa. E, na inocência de criança, eu brincava falando que aquele menininho ao meu lado era o “meu marido perdido, que eu ainda ia encontrar um dia”.
E não é que encontrei mesmo?
Um dia, enquanto conversávamos pelo celular, ele me mandou uma foto... e era a MESMA foto que eu tinha guardada. O "marido perdido" da minha infância era o Miguel esse tempo todo! 😂
Agora, mal posso esperar pelo resto dessa aventura ao lado do Miguel!